Rui Cacho
Notas biobibliográficas
Rui Cacho nasceu em Santarém em 8/2/32 e nessa cidade completou o antigo sétimo ano do liceu. Veio para Lisboa, frequentou durante dois anos a Faculdade de Direito, curso de que desistiu por erro de opção e motivos financeiros.
Trabalhou depois vários anos no Contencioso de uma Empresa, a dita “encerrou para obras”, e mais tarde tornou-se jornalista.
Colaborou n’ O Século, República, Diário de Lisboa, Europeu, África, e em vários jornais regionais. Publicou em 1967 o seu primeiro livro, Funeral Sem Banzé (histórias, diário, poemas), edição de autor, e em 2000 e 2001 foram editados pela Universitária Editora as obras O Professor de Quotidiano, Conversa de Um Habitante, Anotações Poéticas e Livro por Editar; e em 2004, de parceria com Julião Bernardes, publica, em edição dos autores o livro Dois Autores/Dois Textos (com a parte Quotidiano Anotado). Publicou um texto dramático na "Viola Delta” (volume XXVIII) e participou em várias colectâneas, entre as quais o “Florilégio de Natal” (da Tertúlia Rio de Prata).
Viveu durante mais de trinta anos no Monte Abraão (Queluz) e em 2000 foi galardoado com uma bolsa de trabalho literário pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, a qual deu origem ao Livro por Editar.
Por iniciativa da Junta de Freguesia de Monte Abraão teve lugar em 30 de Abril de 2004, no espaço Teatrosfera, uma homenagem aos poetas da freguesia, integrada nas comemorações do 30º. aniversário do 25 de Abril de 1974. Nessa sessão foi apresentado o livro Dois Autores/Dois Textos, no qual Rui Cacho participou com o seu Quotidiano Anotado, livro esse que teve o patrocínio da Junta de Freguesia de Monte Abraão, o qual se traduziu pela compra de parte da edição.
Nessa ocasião Rui Cacho viu-se rodeado de muitos amigos de variadas áreas – desde colegas de liceu a conterrâneos da terra de nascimento e a cotertulianos – tendo sentido o carinho e a amizade de quantos com ele privaram.
Deixou-nos no passado dia 16 de Setembro, após 12 dias de internamento no Hospital Amadora/Sintra, ao qual baixara para ser operado a uma hérnia estomacal. O coração, nele tão grande e tão sensível aos outros, deixou de bater. Não chegou a saber que a doença lhe minava já diversos órgãos e estava convicto de que não demoraria muito no hospital, pois seria em breve operado. Descurava um pouco as relações epistolares e nos últimos anos pouco ia à tertúlia Rio de Prata (seria já o mal de que padecia que lhe dava uma certa instabilidade emocional, uma indisposição que não lhe permitia estar muito tempo num lugar), mas, amigo do seu amigo, não se esquecia de quem estava momentaneamente doente, tendo até num ou noutro artigo para o Florilégio de Natal dedicado atenção aos seus companheiros nessa situação: lembro-me de se ter referido aos poetas António Vera, Fernando Pinto Ribeiro, José Junça, Paulo Brito e Abreu, e ele próprio, com aquela ironia muito dele.
Na escrita e na vida era um Mestre.
Cultivava a arte de bem escrever com uma exigência tremenda, rara, sempre na procura da forma ideal de uma frase que, finalmente, transparecia a nossos olhos com a mesma simplicidade com que encarava a vida.
A vida que muitas vezes classificava de patética, enquanto nos fitava com aquele seu sorriso de menino apanhado a fazer uma qualquer travessura, mas que sabia ser dádiva a não desperdiçar com gestos indignos. Não sendo crente estará decerto entre os anjos, brincando com eles como se os tivesse conhecido desde sempre, inventando enredos como só ele sabia fazer.
Obra publicada:
Livros:
- Funeral Sem Banzé (histórias, diário, poemas), 1967, edição de autor
- O Professor de Quotidiano, 2000, Universitária Editora
- Conversa de Um Habitante, 2000, Universitária Editora
- Anotações Poéticas, 2000, Universitária Editora
- Livro por Editar, 2004
- Crónicas do passado... e do presente, 2010, edium editores
Livro em co-autoria com Julião Bernardes :
- Dois Autores/Dois Textos (com a parte Quotidiano Anotado)
Obras Publicadas pela edium editores: