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Joana Moça

Notas biobibliográficas

Joan MoçaJOANA MOÇA nasceu em 1982 em Vila Nova de Famalicão. Aos 7 anos mudou-se para a Póvoa do Varzim, regressando à terra natal aos 12 anos. Bacharel em Engenharia e Gestão Industrial pela Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, sempre se exprimiu melhor através da escrita.

“Sentada na Areia” é a sua primeira obra publicada em livro, onde se encontram sentimentos, emoções e passagens da sua vida em forma de poema.

Obra publicada:

Livros de Poesia:

Obras Publicadas pela edium editores

Sentada na Areia Autor: Joana Moça Colecção: Poesia  

Sentada na Areia
Colecção: Poesia 

 Referências à autora:

 Xavier Zarco,  na  apresentação do livro "Sentada na areia" de Joana Moça, in blog do autor:

«Este título: “Sentada na areia”, isto sem que haja necessidade de o abrir, sugere-me, de imediato, duas situações.

A primeira, alguém que está num areal. Nada mais simples. Mais concretamente, numa praia onde a imagino a contemplar o mar. Talvez observe o movimento das ondas. No entanto, pessoalmente, imagino a poetisa, a criadora desta obra, a contemplar a distância, aquela linha onde o mar e o céu se fundem num único corpo. Esta é a primeira sugestão.

A segunda aproxima-se mais da própria essência da poesia, do acto de construir e destruir para possibilitar uma nova construção. Imagino os parques infantis da minha infância onde havia sempre uma caixa de areia. Há uma criança que brinca sentada na areia. Ergue e arrasa e ergue a sua construção. Esta é a segunda sugestão.

Estas duas situações que o título me sugere são acções próprias da poesia. O poeta precisa de observar o mundo, necessita de encontrar pontos de fusão entre o mundo das ideias e o mundo material que, há pouco, representei como o horizonte.

Mas o poeta procura mais. Sabe que é urgente construir, destruir e voltar a construir, tal como a criança, o que ergue como poesia. A sua areia são as palavras. Trá-las para o corpo do poema, não só pelo que estas transmitem no plano racional, mas também pela musicalidade, plano emotivo, que estas em si possuem.

E é isto o que de facto se pode ler em “Sentada na areia”. Aliás, se tivesse necessidade de elaborar uma síntese, escreveria: “Sentada na areia”, uma viagem ao complexo através do simples ou uma viagem ao universal através do particular.

De facto, a escrita de Joana Moça demanda radicalmente o âmago do que a rodeia para posteriormente nos legar não algo como contemplado, mas algo a contemplar. Pretende, pelo menos esta é a minha leitura, através do que sente e pensa e que pela acção transforma em poema, dar-nos, é certo, a sua interpretação da coisa contemplada, mas mais do eu isso, dar-nos a possibilidade da fresta por onde o leitor – o que ousar fazê-lo – poderá, ele próprio, descobrir.

É uma poética que convida a essa descoberta, fá-lo mas do que entregar o dado como adquirido.

Talvez por isso Joana Moça escreva o seguinte, e passo a citar:

“São as ilusões que nos fazem caminhar”, fim de citação.

Através da descoberta particular, transfigurada em poema e em ilusão, entendida aqui não como erro de percepção, mas como sonho ou desejo, a autora estabelece um objectivo: através da escrita sugestiva possibilitar ao leitor o acesso a um espaço de partilha, de partilha de um caminho.

A elaboração do poema, objecto de arte, como tal feito para o usufruto do outro, parte do eu quer seja através de um plano sentimental, sensorial ou racional.

No caso de Joana Moça este eu surge como elaborador de um ponto de partida, não de um ponto intermédio ou final. Preconiza a abertura da tal fresta sobre o mundo por onde o leitor, como há pouco mencionei, pode entrar.

Se o fizer, pode então partir em busca dos caminhos da sua própria ilusão, aquela onde radica a essência do seu próprio caminho. O caminho visto sob a definição de Antonio Machado, aquele que se faz ao caminhar.

Há, portanto, e em forma de resumo, aqui, nesta obra, os cinco movimentos enunciados:

Primeiro: a sugestão do acto de contemplar, de observação – objecto a ser;

Segundo: indícios da recolha das palavras, matéria que enformará o objecto;

Terceiro: o facto em concreto da criação da possibilidade do objecto – o poema para o poeta;

Quarto: a pretensão da destruição do poema pela leitura;

E quinto e último: a possibilidade da criação do objecto em si – o poema para o leitor.

Joana Moça, neste seu “Sentada na areia” abre a possibilidade do caminho, indaga das suas coordenadas, elabora a sua cartografia, mas tudo para que seja ao outro possível o desenho do passo.»